5 motivos para ler Edgar A. Poe - Especial 210 anos


Se você nunca leu Poe, provavelmente pode achar que o mestre da literatura de horror não é para você, mas eu te digo: pense novamente!


Edgar A. Poe. Provavelmente você já ouviu esse nome. E é ainda mais provável que ao escutá-lo você lembre imediatamente do corvo agourento com sua sentença inexorável, do gato mórbido que, coitado, é morto com requintes de crueldade ou, quem sabe, de um coração batendo sob um assoalho. E você tem razão, Poe é muito conhecido por seus contos de terror.

Afinal, ler ou ouvir em uma voz sinistra:

"Em certo dia, à hora, à hora da meia-noite que apavora, eu, caindo de sono e exausto de fadiga, ao pé de muita lauda antiga, de uma velha doutrina, agora morta, ia pensando, quando ouvi à porta do meu quarto um soar devagarinho, e disse estas palavras tais: é alguém que me bate à porta de mansinho; há de ser isso e nada mais..."  

Você tem de concordar é muito mais assustador que Jason Voorhees perseguindo adolescentes. (Veja bem, não estou desmerecendo nosso assassino querido, é apenas uma comparação, taokei? 😁)

Por esse motivo que, dias depois de ter completado 210 anos do nascimento de Poe, estou escrevendo esse post. Porque já vi muita gente desconsiderar sua obra por ele ser um escritor mórbido e louco, o que sabemos ser bem verdade, mas acredite: ele não é apenas isso!

Então, listo agora 5 razões para você conhecer um pouquinho dessa genialidade e começar a ler seus contos e poemas hoje mesmo!




1. Ele te faz refletir através das sutilezas.


A primeira vista um conto como O Gato Preto pode soar apenas uma publicação de terror, mas dando uma olhada mais atenta você vai perceber que ele é também um grande alerta sobre as consequências da dependência do álcool e de Poe considerava isso uma patologia.

Porém a doença tomou conta de mim – pois o álcool é uma doença! – e, finalmente, até mesmo Plutão (que já estava ficando velho e, portanto, um pouco impertinente), até mesmo ele passou a sofrer os efeitos do meu mau gênio. Certa noite, ao chegar em casa muito embriagado, depois de uma das minhas incursões noturnas pela cidade, cismei que o gato me evitava. Eu o segurei à força e, assustado, com tanta violência vinda de mim, ele feriu minha mão com uma leve mordida. Na mesma hora fui possuído por uma fúria demoníaca. Mal podia me reconhecer. Minha alma parecia ter escapado e uma maldade mais do que diabólica, alimentada pelo gim, eletrizava cada fibra do meu corpo. — O Gato Preto, de Edgar A. Poe, em Medo Clássico Vol. 1, p. 87

2. E te faz ganhar tempo para pensar.


Os contos são, em sua maioria, bem curtinhos. Ele era dos que defendem que a boa literatura deve ser lida de uma só vez - eu cito isso na resenha de Hop-Frog, escrita em 2016. Mas ao contrário do que se pode imaginar, ela não é rasa. Sabe aquela leitura que você faz e que fica reverberando um tempão na sua cabeça? Pois é.


3. Poe te faz rir.


Sim, ele tem facetas engraçadíssimas! Agora lembro de um conto que não é tão conhecido, mas que é hilário. “Some Words with a Mummy” - Pequena conversa com uma Múmia - satiriza a sociedade do século XIX que se achava muito esperta. Os personagens da história receberam nomes de pessoas reais da época e até da pílula Ponnonner que era famosa por curar qualquer tipo de dor. Daí que esses caras começam a examinar a tal múmia -  que tinha título de Conde, nomenclatura que nem existia no Antigo Egito - que de repente ela começa a conversar com eles. Entre os muitos ensinamento passados, a múmia, que se considera muito “nova”, explica como era o embalsamento na sua época. Lê um trechinho:

A verdade é que estou nauseado, até o mais íntimo, desta vida e do século dezenove em geral. Estou convencido de que tudo vai de pernas viradas. Além disso, estou ansioso por saber quem será o Presidente, em 2045. Portanto, logo que acabar de barbear-me e de tomar uma xícara de café, irei até a casa de Ponnonner fazer-me embalsamar por uns duzentos anos.

4. A ambientação dele é incrível.


A capacidade que Poe tinha de nos transportar para as suas histórias é impressionante. Confesso que, algumas vezes, ele era tão perfeccionista nesse sentido que termina exagerando. Nesse conto que citei acima a gente consegue até sentir os cheiros mencionados na narrativa!

5. Os seus poemas são lindos.


Está certo que nem todo mundo curte poesia e se você é uma dessas pessoas apenas peço que dê uma chance aos escritos de Poe. As métricas, melodias e a beleza da linguagem utilizada são para nos deixar, realmente, impactados. Vá além de "O Corvo" e leia o poema "Sozinho", "Sonhos" ou  "A Cidade do Mar" e veja o quão líricos são para nos deixar, realmente, impactado. de ficar realmente impactado. A beleza da linguagem manifestam-se tão maravilhosamente na poesia, e Poe é um mestre disso.

Edgar Allan Poe

Eu concordo com Gilles Deleuze que certa feita disse que “o verdadeiro charme das pessoas reside nos seus traços de loucura.” E Poe era insano. Sua vida foi horrível. Perdeu seus pais muito cedo e desde então ele só teve brutalidade. Bebida em excesso, doenças, morte. É isso que grande parte das suas obras reflete.

Então, se você é uma dessas pessoas que nunca leu nada dele, considere essas poucas coisas que listei - porque com certeza eu poderia escrever uma centena de motivos - e leia esse autor que é o meu favorito entre todos os outros. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário